Você precisará de se preparar antes de morrer. Há muitas instruções para
isso, mas eu não entrarei nelas em muitos detalhes neste texto. Brevemente, vou apenas descrever o que você deveria fazer
quando chega o momento da morte.
Pense para si próprio sem parar:
“Quer a morte venha cedo ou tarde, no final não tenho outra alternativa senão deixar este corpo e todas as minhas posses.
Isto é inevitável para todo o mundo” Pensando nestas palavras, corte completamente os laços do desejo e do apego. Confesse
todas as acções prejudiciais que você cometeu nesta e em todas as suas outras vidas, como também qualquer queda ou quebras
de votos que tenha cometido, deliberadamente ou não, e prometa repetidamente nunca mais agir de tal modo no futuro.
Não se sinta nervoso ou apreensivo
sobre a morte. Em vez disso, tente animar o seu espírito e cultivar um sentimento tranquilo de alegria. Recorde tudo o que
é positivo e as coisas virtuosas que fez no passado. Sem sentir qualquer ponta de orgulho ou arrogância, realce as suas realizações
repetidas vezes. Dedique todos os seus méritos e faça orações repetidas de aspiração, para que em todas as suas vidas futuras,
possa receber no seu coração o caminho completo do veículo supremo, com a orientação de um amigo espiritual virtuoso, e ter
qualidades como a fé, diligência, sabedoria e rectidão de carácter — por outras palavras, todas as circunstâncias mais
que perfeitas, tanto exteriores como interiores. Reze, também para que você nunca caia debaixo da influência de companheiros
perversos ou emoções destrutivas.
Os textos do Vinaya explicam
que uma das causas principais para conseguir uma forma suprema de renascimento, é alguém que tem uma vida disciplinada na
presença do Buda por exemplo, é fazer orações e aspirações no momento da morte. É por isso que é dito que “Tudo o que
é o mais íntimo e tudo que é o mais familiar” terá um poder impressionante.
A qualquer aspiração que faça
deve dar um ímpeto suplementar, fazendo determinadas promessas como esta: “Em todas minhas vidas, eu farei tudo aquilo
eu possa para me treinar no caminho de vacuidade, com compaixão na sua autêntica essência!” Considerando a importância
disto, considere quanto mais eficaz é dizer com convicção: “Eu acordarei de manhã cedo!” do que simplesmente fazer
a aspiração: “Possa eu acordar cedo.”
Para realizar mais facilmente
as orações que fez ou intenções que formulou é profundamente benéfico confiar numa personificação do poder espiritual. Recorde-se
daquele por quem tem a maior devoção, ou por quem sente a conexão mais profunda através da sua prática. Seja ele o grande
e glorioso mestre de Oddiyana – Guru Rinpoche, ou o Nobre Avalokiteshvara – o Senhor do Mundo, e com esperança
e confiança, que ele ou ela são a personificação de todas as fontes preciosas de refúgio, reze intensamente para que as suas
aspirações se cumpram.
No momento da morte será difícil
juntar forças mentais suficientes para meditar em algo novo ou que conhece pouco, e é por isso que você tem que escolher uma
meditação apropriada muito antes do momento da morte e treinar até a conhecer familiarmente. Então, durante o seu processo
de morte, você deve dedicar seus pensamentos a essa meditação, o mais que puder. Quer seja lembra-se do Buda, focar-se no
sentimento de compaixão, cultivar a visão de shunyata, ou lembra-se do Dharma ou do Sangha Para que isto aconteça com sucesso,
também é importante que você se treine antes do momento da morte, a pensar: “De agora em diante, enquanto eu atravesso
esta conjuntura crítica que é o momento da morte, eu não permitirei que nenhum pensamento de negativo entre na minha mente.”
Os santos do passado disseram:
“Melhor que bastante actividade virtuosa feita com uma mente embrutecida e confusa – é uma acção virtuosa feita
num único dia, com lucidez mental.” Como aqui se diz, será muito mais eficaz se praticar tudo isto, tendo primeiro se
esforçado muito para desenvolver a concepção de inspiração e de grande satisfação.
Embora seja difícil para aqueles
que são como eu, beneficiar outros, eu recitarei os versos de refúgio e rezarei para que em todas as suas vidas futuras possa
seguir os ensinamentos do Mahayana.
Escrito pelo denominado Corajoso
(Jikmé).
Traduzido
por Adam. Dedicado à memória de Ian Maxwell.
Traduzido
por chodon (conceição)
[1] Por outras palavras, os pensamentos que temos no momento da morte,
e aqueles a que nos habituamos mais durante a nossa vida, serão o que maior influencia terão para determinar o nosso renascimento.