Clarificando a Essência

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Rongtön Sheja Künrig

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Clarificando a Essência: Um Resumo das Instruções sobre a Visão do Caminho do Meio

por Rongtön Sheja Kunrig

Oṃ svasti!

Com devoção, presto homenagem e refugio-me no guru e na suprema deidade: concedam as vossas bênçãos, peço-vos!

O resumo das instruções sobre a visão do Caminho do Meio inclui conselhos sobre 1) a eliminação definitiva da elaboração conceptual[1] através da visão; 2) a incorporação do significado [da visão] na experiência através da meditação; e 3) um aperfeiçoamento através da acção.

Meditação

Incorporar o significado na experiência através da meditação tem dois aspectos: 1) quiescência mental (śamatha) e 2) visão penetrante (vipaśyanā).

Vipaśyanā

As instruções de vipaśyanā por seu lado estão divididas em duas: 1) meditação na vacuidade do indivíduo e 2) meditação na vacuidade dos fenómenos.

Estas duas incorporam meditações 1) na vacuidade exterior, 2) na vacuidade interior e 3) na vacuidade de ambas [exterior e interior]. Como qualquer apego à verdade das duas formas de vacuidade deverá igualmente ser eliminado, é também necessário meditar em como ambas carecem de verdadeira realidade e, assim, 4) a meditação relativa à vacuidade da vacuidade é também ensinada.

Colectivamente, estas quatro formas de meditação na vacuidade incluem todos os meios necessários para cultivar a visão da vacuidade, sem nada faltar. Meditar nas três primeiras formas de vacuidade elimina a imputação[2] relativa aos fenómenos (chos can; dharmin), enquanto meditar na vacuidade da vacuidade elimina a imputação relativa à natureza dos fenómenos (chos nyid; dharmatā).

Como Śāntideva disse:

Quando noções de real e irreal
Estão ausentes da mente,
Então, não há outra possibilidade
Senão repousar numa paz total, para além de conceitos.[3]

Este resumo das instruções sobre a visão do Caminho do Meio foi composto pelo grande Rongtön na gloriosa Nālendra.

| Traduzido do inglês (Adam Pearcey, 2016) por André A. Pais, 2020


  1. spros pa; prapañca  ↩

  2. sgro 'dogs; samāropa  ↩

  3. Bodhicaryāvatāra, IX, 34  ↩