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ISSN 2753-4812
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1. Nas Praticas Preliminares do Longchen Nyingtik

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Explicação da Oração para Invocar o Lama

Nas Praticas Preliminares do Longchen Nyingtik

por Chatralwa Chöying Rangdrol

Esta prática divide-se em duas partes: uma exterior e outra interior:

1. O Mestre Espiritual exterior

Refere-se ao seguinte verso:

Meu Lama, cuide de mim!
Da flor de lótus da devoção no centro do meu coração,
Eleve-se o Lama compassivo, o meu único refúgio!
Eu fui atormentado pelas acções passadas e emoções turbulentas.
Para me proteger no meu infortúnio, Meu Lama, permaneça como a jóia ornamental na coroa da minha cabeça, O chakra da grande felicidade absoluta…”

Enquanto recita a primeira vez “Meu Lama, cuide de mim!”, para que esta renúncia chegue à nossa mente e à dos outros seres, invoque o Lama considerando-o como a personificação de todos os gurus, do buda e do dharmakaya. Quando recita uma segunda vez, para que possa surgir com força o precioso bodhicitta nas vossas mentes, invoque-o como a personificação dos yidams, do Dharma e do sambhogakaya. Enquanto o recita pela terceira vez, para que surja com força uma pura percepção de tudo o que aparece e existe na nossa mente, invoque-o como a personificação das dakinis, do sagha e do nirmanakaya.[1] Como alternativa na primeira recitação pode considerá-lo como a personificação das Três Jóias, na segunda vez como a personificação das Três Raízes e na terceira vez a personificação dos Três Kayas.

Depois, considere que através da compaixão do mestre, que foi desperta pela recitação e pela sua visualização como a personificação de todas as fontes de refugio e com uma fé autêntica, o lótus intenso e ardente, de quatro ou oito pétalas, no centro do vosso coração desabrocha. Com isto o único refugio que pode dissipar todas as nossas infelicidades e as suas causas nesta vida e nas futuras e nos estados de bardo, o mestre que nos revela o caminho da libertação e da omnisciência, o nosso bondoso mestre raiz, que desperta através do canal central e ai permanece, sorrindo de felicidade, no espaço acima da coroa da nossa cabeça.

Talvez se questionem sobre se precisam desta pratica. É para nos proteger – a nós os seres sem sorte, emersos em grandes sofrimentos importados apenas pelas nossas acções passadas e emoções turbulentas – de todo o nosso karma, kleshas e sofrimentos que eles causaram. É por isso que pedimos ao mestre para permanecer no chacra da grande felicidade, na coroa da nossa cabeça, sentado sobre um lótus e um disco lunar, desde este momento e até atingirmos a iluminação, assim como todos os soberanos predominantes da nossa família de budas e o dirigente de todos os mandalas.

2. O Mestre Espiritual interior

Corresponde á linha:

“…Despertando toda a minha atenção plena e presença consciente, eu rezo!”

O guia espiritual interior é a nossa atenção plena, presença consciente, a consciência plena, e as 6 perfeições transcendentes. A atenção plena tal como é mencionada no livro Letter to a Friend,[2] é a pratica principal em todos os níveis do Dharma:

Prodigioso Senhor, o Buda ensinou que a atenção plena do corpo
É o único caminho a seguir.
Assim agarra-a com firmeza e defende-a bem.
Pois toda a pratica do Dharma será estragada
Se a atenção plena for algum dia perdida.[3]

Tendo-se referido como “Prodigioso senhor” ao rei, Nagarjuna diz que o Buda ensinou que em todas as situações da nossa vida diária, a atenção plena do corpo, etc, é o único caminho a seguir, e por isso todos os que desejam seguir o caminho da libertação devem adoptar isto desde o principio.

Ensina-se que a presença consciente é a fonte de toda a perfeição. É a fonte do esplendor do conhecimento quádruplo: 1. conhecimento de toda a terminologia de todos os ensinamentos do Dharma e com base nisso, 2. Um claro conhecimento do significado do que é dito, assim como 3. Uma compreensão da causa e efeito para aqueles que desejam a felicidade dos reinos superiores e 4. Um conhecimento profundo das causas e feitos envolvidos para que se atinjam os estados de “bondade absoluta” ou seja, a libertação e omnisciência. Se não temos esta presença consciente então tal como é dito no texto “The Way of the Bodhisattva”.

“Ao ouvir seja o que for que aprenderam, pensaram ou meditaram
Os que não tem a presença consciente nas suas mentes,
Isso não será conservado pela memória
Tal como agua deitada num vaso que vaza.”[4]

A consciência plena é a fonte de todas as virtudes. Tal como é dito no texto: The Moon Lamp Sutra:

“Disciplina, aprendizagem, generosidade e paciência também,
Tudo o que possa ser descrito como uma qualidade virtuosa –
A fonte delas todas é a consciência plena,
A qual o Buda disse que é um tesouro que se deve ganhar.”

Rezem para que através da compaixão e bênções do mestre, estas qualidades de atenção plena, presença consciente, e consciência plena possam emergir na vossa mente e se manifestem plenamente em toda sua dimensão.

Talvez queiram saber onde estas categorias de mestre interior e exterior são ensinadas. O texto The Condensed Perfection of Wisdom Sutra diz:

“Confiem nos budas e bodhisattvas que embarcaram no caminho do despertar supremo e também na prática das paramitas – como vossos mestre espirituais. Tanto os mestres, como a prática – são as causas para velozmente realizarmos o estado de Buda.”

Mipham Rinpoche no comentário do texto “Condensed Sutra” diz:

“Confiem nos Budas, os conquistadores transcendentais e os Bodhisattvas que embarcaram no caminho do despertar supremo e também no caminho das paramitas como vossos mestres espirituais. Destes, os budas e bodhisattvas ensinam o grande veículo aos outros e no entanto são considerados como mestres exteriores. O que eles ensinam, o caminho das paramitas, é o que nós devemos seguir ou integra-los na nossa experiência e ser o nosso mestre interior. Nesta forma, os mestres interiores e exteriores impedem-nos de nos extraviarmos para outras vias que não as do grande veiculo e assim confiar nestes dois aspectos torna-se algo de perfeito, sem paralelo uma causa para realizar velozmente a iluminação dos budas.

O texto The Gateway to Knowledge diz:

“Primeiro nós seguimos o mestre exterior, o guia espiritual que nos ensina o grande veículo de forma autêntica. Depois, tendo recebido as instruções exactas sobre a unidade inseparável do caminho autentico, profundo, vasto da sabedoria transcendental perfeita, concluída com todos os aspectos supremos dos meios hábeis, que são o método perfeito para nos aproximarmos do alcançar o estado de buda – o estado de igualdade para além de todos os extremos e o antídoto a todos os factores adversos no caminho do grande veiculo, tais como persistir nos extremos ou ter conceitos centrais que nos afastam da “mãe resultante” [nirvana], nós aplicamos esta pratica nas nossas mentes e nunca nos separaremos do nosso mestre interior.

Extracto de སྔོན་འགྲོ་ཀུན་ལས་བཏུས་པ།.

| Traduzido por Chodon (conceição).


  1. Estas três qualidades – renuncia, bodhicitta e pura percepção – representam a essência dos três yanas.  ↩

  2. Suhrllekha em Skt, em tib o titulo é is bshes springs, “Nagarjuna's Letter To A Friend: with Commentary by Kangyur Rinpoche”, Snow Lion, 2006.  ↩

  3. Verso 54.  ↩

  4. Bodhicharyavatara – O caminho dos Bodhisattvas: capitulo 5, verso 25.  ↩

Yukhok Chatralwa Chöying Rangdrol

Yukhok Chatralwa Chöying Rangdrol

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